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Domingos Nunes
- 09/01/2026
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5 Leis Famosas: Marphy, Kidlin, Gilbert, Wilson e Falkland
No mundo da liderança, existem frases e “leis” que atravessam gerações porque capturam algo real do comportamento humano: medo, decisões impulsivas, falta de clareza, preguiça mental e também disciplina intelectual.
Nem todas são “leis científicas” no sentido acadêmico - mas são princípios práticos que, quando bem compreendidos, ajudam líderes a:
- pensar melhor sob pressão,
- resolver problemas com mais clareza,
- cobrar com mais maturidade,
- desenvolver pessoas com consistência.
Neste artigo, você vai conhecer 5 leis famosas e como aplicá-las no seu estilo de liderança.
1) Lei de Murphy - A lei da ansiedade e do “e se der errado?”
Resumo simples
A Lei de Murphy costuma ser lembrada pela frase:
“Se algo puder dar errado, dará errado.”
Mas para líderes, a versão mais útil é esta:
quanto mais você tem medo de que algo dê errado e não se prepara, maior a chance de dar errado.
Murphy não é “azar”. Muitas vezes é falta de prevenção, falha de processo ou comunicação mal feita.
O que essa lei ensina ao líder
- Medo sem ação vira ansiedade.
- Ansiedade contamina o time.
- Prevenção reduz erros de forma enorme.
✅ Como aplicar em você (líder)
- Faça sempre um “pré-mortem”: O que pode dar errado?
- Crie um checklist mínimo antes de decisões críticas.
- Não confunda “pensar no risco” com “criar pânico”.
✅ Como aplicar nos liderados
- Ensine o time a trabalhar com prevenção:
- checklist,
- padronização,
- validações antes de executar.
Exemplo prático
Um líder pede uma mudança na rede “rapidinho”, sem checklist e sem janela de manutenção.
O time executa correndo, cai o link, vira crise.
Aplicando Murphy do jeito certo:
- mudança com checklist
- rollback definido
- teste pós-mudança
- horário correto
Resultado: menos crise, mais maturidade operacional.
2) Lei de Kidlin - “Problema escrito é problema meio resolvido”
Resumo simples
A Lei de Kidlin diz:
se você consegue escrever um problema com clareza, você já andou metade do caminho da solução.
Porque escrever obriga seu cérebro a:
- organizar pensamentos,
- separar fatos de opinião,
- identificar causa e efeito.
O que essa lei ensina ao líder
- Problemas vagos geram soluções ruins.
- Reclamação não é diagnóstico.
- “Tá tudo ruim” não serve como briefing.
✅ Como aplicar em você
Antes de qualquer reunião de crise, faça 4 perguntas e escreva:
- O que aconteceu?
- Quando começou?
- Qual impacto?
- Qual evidência?
Isso muda tudo.
✅ Como aplicar no time
Crie uma regra:
“Toda solicitação de ajuda tem que vir com contexto mínimo.”
Pode ser por WhatsApp, chamado ou reunião.
Exemplo prático
Em vez de:
- “Internet tá ruim!”
Melhor:
- “Desde 14:30, clientes do bairro X relatam lentidão. Ping normal, mas DNS demora. Testei com 8.8.8.8 e melhorou.”
A equipe já chega no ponto.
3) Lei de Gilbert - “O resultado importa, descubra o como”
Resumo simples
A Lei de Gilbert, aplicada ao trabalho, diz:
o resultado é o que importa. Você é responsável por encontrar o melhor método para atingir o objetivo.
Isso não significa abandonar pessoas.
Significa combater a cultura do:
- “me diga exatamente o que fazer”
- “não vou tomar decisão”
- “só executo ordens”
O que essa lei ensina ao líder
- Profissional cresce quando pensa.
- Liderança não é microgestão.
- Autonomia gera responsabilidade.
✅ Como aplicar em você
Pare de dar soluções prontas o tempo todo.
Troque:
- “Faz assim e assim…”
Por:
- “Qual é o plano?”
- “Me mostre opções.”
- “Qual risco de cada uma?”
- “Qual você recomenda?”
✅ Como aplicar nos liderados
Dê autonomia com limites:
- defina o resultado esperado,
- explique o padrão mínimo,
- estabeleça o que é “inalterável”.
Exemplo prático
Objetivo: reduzir tempo de instalação.
O líder não diz como fazer. Ele diz:
- “Quero reduzir em 20% até o fim do mês. Traga 3 ações.”
O técnico analisa:
- rotas,
- checklist,
- separação de kits,
- ordem de visitas.
O time evolui. A empresa amadurece.
4) Lei de Wilson - “Invista em inteligência, o dinheiro vem depois”
Resumo simples
A Lei de Wilson, na prática, diz:
quem investe em aprendizado contínuo cria um ciclo de crescimento que se paga sozinho.
Na liderança, isso vira um diferencial competitivo real:
- equipe aprende → melhora desempenho → reduz erros → aumenta qualidade → cliente fica → lucro cresce.
O que essa lei ensina ao líder
- Profissional bom não nasce pronto.
- Treinamento é investimento, não custo.
- Equipe sem aprendizagem vira equipe insegura.
✅ Como aplicar em você
Tenha um plano simples:
- 30 minutos por dia de leitura / estudo
- 1 curso por trimestre
- 1 habilidade por semestre
✅ Como aplicar no time
Faça educação prática:
- mini treinamentos de 20 minutos
- cultura de documentação interna
- revisão pós-incidente
Exemplo prático
Após um incidente de DNS:
- líder reúne o time
- explica o caso
- documenta comandos nslookup/ping/tracert
- cria playbook
O time aprende e não repete o erro.
5) Lei de Falkland - “Se não precisa decidir agora, não decida”
Resumo simples
A Lei de Falkland ensina:
não tome decisões desnecessárias.
Muita decisão é tomada por:
- ansiedade,
- vaidade,
- pressa,
- medo de parecer indeciso.
Só que decisão precipitada vira retrabalho.
O que essa lei ensina ao líder
- Nem tudo exige resposta imediata.
- Silêncio estratégico é uma habilidade.
- Decidir sem dados é aposta.
✅ Como aplicar em você
Antes de decidir, pergunte:
- “Isso precisa ser decidido agora?”
- “O que ganhamos esperando 24h?”
- “Que dados faltam?”
✅ Como aplicar no time
Crie o hábito:
- “Vamos decidir com base em evidências.”
Exemplo prático
O dono quer trocar todos os roteadores por causa de reclamações pontuais.
Aplicando Falkland:
- analisa logs
- mede sinal, saturação e canal
- identifica gargalo real (roteador ou interferência ou backhaul)
Economia + decisão correta.
Como um líder usa essas 5 leis como método
Você pode transformar essas leis em um “manual mental”:
- Murphy: preparar antes
- Kidlin: esclarecer antes
- Gilbert: responsabilizar sem microgerenciar
- Wilson: treinar sempre
- Falkland: decidir só quando necessário
Isso gera liderança madura: firme, prática e eficaz.
Conclusão
Essas leis não são magia nem filosofia de internet.
São modelos mentais úteis para líderes que querem:
- menos confusão,
- menos impulsividade,
- mais clareza,
- mais responsabilidade,
- mais consistência.
O ponto não é decorar a lei.
É transformar o princípio em hábito.