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Domingos Nunes
- 04/09/2025
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5 Vias de Santo Tomás de Aquino provar Existência de Deus
Santo Tomás de Aquino (1225-1274), um dos maiores teólogos e filósofos da história, propôs Cinco Vias para demonstrar a existência de Deus na sua obra magna, a Suma Teológica (Parte I, Questão 2, Artigo 3).
É importante entender o contexto: Aquino não via essas "vias" como "provas" no sentido científico moderno, mas como argumentos racionais que, partindo da observação do mundo (efeitos), nos levam logicamente a concluir a existência de uma Primeira Causa (Deus).
Aqui estão os 5 argumentos, explicados de forma clara:
1. A Via do Movimento (Primeiro Motor Imóvel)
Observação: No mundo, vemos que as coisas se movem. Tudo que se move é movido por outra coisa (ex: uma bola é movida pelo bastão, que é movido pela mão do jogador).
Problema: Não podemos ter uma cadeia infinita de "motores" sendo "movidos". Deve haver um ponto de partida.
Conclusão: Portanto, é necessário chegar a um Primeiro Motor que não é movido por ninguém, que todos reconhecem como Deus.
2. A Via da Causa Eficiente (Primeira Causa Não-Causada)
Observação: No mundo, tudo tem uma causa (ex: uma escultura é causada pelo escultor, que foi causado por seus pais). Nada é causa de si mesmo.
Problema: Se não houver uma primeira causa, não haveria causas segundas e, consequentemente, nenhum efeito no presente. Uma série infinita de causas é impossível.
Conclusão: Logo, é necessário admitir uma Primeira Causa Eficiente, à qual todos chamam Deus.
3. A Via do Ser Contingente e do Ser Necessário (Ser Necessário)
Observação: As coisas que vemos no mundo são contingentes: elas podem existir ou não existir (ex: uma árvore, um animal, uma pessoa). Elas nascem e morrem.
Problema: Se tudo fosse contingente (ou seja, capaz de não existir), em algum momento nada existiria. Se em algum momento nada existiu, nada poderia começar a existir, pois do nada, nada vem. Portanto, nem tudo pode ser contingente.
Conclusão: Deve haver um Ser Necessário que não tem a causa de sua existência em outro, que existe por si mesmo e é a causa da existência de todos os seres contingentes. A este ser todos chamam Deus.
4. A Via dos Graus de Perfeição (Ser Perfeito)
Observação: No mundo, atribuímos graus de perfeição às coisas (ex: dizemos que uma coisa é mais ou menos boa, verdadeira, nobre ou bela do que outra).
Problema: Só podemos fazer essas comparações se houver um padrão máximo absoluto de referência. Por exemplo, só dizemos que algo é "quente" porque conhecemos o conceito máximo de "calor".
Conclusão: Portanto, deve existir um Ser que é o Máximo Bem, Verdade, Nobreza e Beleza, que é a causa de todas as perfeições que encontramos nas criaturas. A este ser chamamos Deus.
5. A Via da Finalidade (Inteligência Ordenadora)
Observação: Vemos que coisas que não possuem inteligência (como corpos naturais: estrelas, planetas, átomos, plantas) agem de forma ordenada e regular, buscando sempre o melhor resultado ou um fim (ex: as estações do ano se sucedem, as abelhas polinizam flores).
Problema: Nada que não tem conhecimento pode tender a um fim a não ser que seja dirigido por um ser inteligente (ex: a flecha é dirigida pelo arqueiro).
Conclusão: Logo, existe um Ser Inteligente que dirige todas as coisas naturais para que cumpram seu fim. E a este ser chamamos Deus.
Resumo em uma Tabela
| Via (Argumento) | Ponto de Partida (Efeito) | Conclusão (Causa) |
|---|---|---|
| 1. Movimento | Coisas se movem | Primeiro Motor Imóvel |
| 2. Causalidade | Tudo tem uma causa | Primeira Causa Não-Causada |
| 3. Contingência | Coisas que podem não existir | Ser Necessário |
| 4. Perfeição | Graus de bondade/verdade | Ser Perfeito |
| 5. Finalidade | Ordem e propósito na natureza | Inteligência Ordenadora |
Pontos Importantes a Lembrar:
Não são "provas" no vácuo: São argumentos que partem da experiência sensível comum a todos.
Deus como resposta filosófica: Aquino chega ao que ele chama de "Deus" como a solução lógica para os problemas filosóficos do movimento, causa, existência, perfeição e ordem. Só depois, na teologia, ele explora os atributos desse Deus (bondade, onipotência, etc.).
Críticas: Os argumentos foram (e ainda são) amplamente debatidos e criticados. A objeção mais comum é se é válido saltar de uma causa primeira no mundo físico para o Deus pessoal das religiões. No entanto, eles permanecem como uma das bases mais sólidas e influentes da teologia natural.